Sábado, Abril 01, 2006

Mais um contículo de Karl.

Assim que retornamos à casa, encontramos um bilhete de nosso filho escandinavo, o talentoso Karl Varnsen, contendo um continho a nós dedicado. Eis as linhas que nos ofertou:

"Eu tinha uma farmácia em Itaperuna, mas apareceu essa loja em Botafogo bem barata e eu trouxe tudo para cá. Instalei as coisas mais ou menos e consegui umas prateleiras e gôndolas super em conta. Só que quando eu estava arrumando os remédios naquela prateleira achei aquilo. No início fiquei apavorado, não conseguia entender como era possível. Depois fiquei nesse dilema de saber se isso vai me destruir ou me deixar rico. A hipótese de ser apenas o inexplicável, que não significa nada, não aceito. Mas o pior de tudo é como continuar escondendo isso da minha mulher. O que me salva é que deve ser tudo ficção pura, pura invenção minha."

De volta again!

Aqui estamos nós depois de um longo e rutilante verão. Viajamos pelo mundo conhecido e desconhecido. Fomos até os gibraltares e visitamos seus cumes, onde colhemos neve e areia. Bebemos águas perigosas. Mas nada nos impediu de retornar ao cenário inconstante de nossas vidas brasileiras.

Quinta-feira, Dezembro 29, 2005

Nosso novo orgulho!

Abaixo, o primeiro microconto que publicamos de Karl Varnsen, nosso filho dinamarquês. Virão outros (microcontos!).

"Estou deitada no sofá da sala, no escuro. Do quarto vem o som da tv. É lá que está meu marido. Do outro quarto vêm os ruídos do videogame do meu filho. E o fato é que jamais consigo descansar. Nunca me deixam! Sempre me chamam pra pedir alguma coisa. Daqui a pouco vem o primeiro grito. Se eu volto a deitar aqui, vem outro chamado. Não suporto! Mas já estou deitada aqui há tanto tempo e ninguém me chamou ainda... Estranho. Faz muito tempo mesmo. Não agüento! Vou lá dentro ver o que está acontecendo comigo."

Karl Varnsen. Dezembro de 2005.

Sábado, Dezembro 24, 2005

Malandra Burrows vem aí!













É com muita alegria que anunciamos que a atriz inglesa Malandra Burrows irá passar o révéillon em nossa casa! Temos que apressar nossa volta ao Brasil, por conta disso. Irineu Funes vai adorar a notícia, já que é apaixonado por ela. Aliás, ela é uma mulher extremamente sedutora. Esperamos que não vá caitituar nosso casamento (não sabemos o que quer dizer caitituar, mas queríamos usar essa palavra um dia...). Vamos atender os jornalistas interessados em entrevistas apenas a partir da próxima terça-feira. Mas já adiantamos os nome de alguns outros convidados da nossa festinha: Tutuka Cromwell, Narízia Fellowes, Referendo Glendam, Miss Lex, Niña Pinta Santamaria, Tutuia Sagaz, Juíza Varca Mnese Lofrasco, Tiuzinho Tulibatsaid, Dep. Mauricyr Tremalis, Assis Francisco de Clara Santos, Senador Adongis Filizol, Prímula, Caciporé Pilla, Desembargador Vandegilberton Somaré.

Sexta-feira, Dezembro 23, 2005

Descobrimos mais um filho!!!!














Depois de Mané Garrincha ter descoberto um filho sueco, foi nossa vez de descobrir um filho... dinamarquês!!! Sim, nós, Art e Regina, concordamos em fazer o exame de DNA e comprovamos: o jovem Karl Varnsen é nosso filho! Ele certamente é fruto de alguma viagem que fizemos à Dinamarca no passado. Ele é um rapaz muito afável e tem um dom: escreve livros com microcontos! Em breve estaremos publicando seus escritos aqui. Salve o aumento da família!

Estamos em Plava Laguna!!!!!!!!















Sim, tem praia na Croácia! Cá estamos em mais uma viagem internacional! Sentimos saudades de nossa casa, mas aqui está maravilhoso. Só não estamos entendendo uma coisa: como pode estar fazendo sol e calorão aqui se é inverno no hemisfério norte????

Sexta-feira, Dezembro 16, 2005

Vivendo a aprender!

Criamos uma nova seção no blog. Chama-se "Aprenda a viver!". Nela colocamos pequenas lições da sabedoria popular que nós inventamos, com o intuito de melhorar a vida de nossos leitores e alunos. Aproveite!
P.S.: Quem quiser se beneficiar com esses saberes tem que pegar a ficha na cidade de Sinop.

Terça-feira, Novembro 08, 2005

Quem é essa chriatura??














Sou uma pessoa incomphormada. Às vezes sei que extrapolo os padrõens de normalidade por caosa da minha falta de serenidade (como já dizia um meo amigo: "serenity now"!!!). Mas estou velho e faço o que eu quiser. Sendo assim, venho por meio deste post protestar pela presença da chriatura cuja photographia aqui exponho e que num vídeo apresenta-se como cantor do grupo Steely Dan, nos seus primórdios. Extrahi esta photo do referido vídeo, que é o registro de um show nos idos da bicho-grilice primitiva, épocha em que tinha eu já meus 110 annos de idade. Alguém pode vir em meo sochorro e dizer quem é este ser feioso? Aqui falou Yosaphat.

Quarta-feira, Novembro 02, 2005

Eva Cassidy
















Vivo! Aqui estou eu, Josafá Monteiro, para inaugurar minha carreira de comentaristinha musical!!!! E não poderia principiar sem prommover uma singela homenage à maior chantora de todos os tempos, a breve Eva Cassidy. Quem quiser saber mais da vida dessa chriatura illuminada que acesse EVA CASSIDY WEBSITE ou EVA CASSIDY. Ela fenneceu em 1996, aos 33 anos, após 6 annos de carreira. Algumas pessoas desta vida louca practicamente a têm como santa de devocção. Eu apenas adoro ouví-la, e vê-la em seu únicho show gravado.

Josafá comentador do blog!!!!!!!!!!!

Anunciamos com júbilo e em azáfama que Josafá (Yosaphaat) Monteiro, o conservado macróbio de 140 anos de idade, vai ser o comentador musical de nosso blog! Esta providência vem atender duas necessidades: a) combater o crescente sucesso do conservador Archilau Flôro que, dotado de 740 amigos no Orkut, está ameaçando perigosamente a música mundial com seus ataques obscurantistas; e b) dar uma ajuda monetária ao grande Josafá, mesmo que nosso blog tenha poucos recursos. Para que realizemos este último intento, pedimos que os leitores depositem seus donativos no oco da árvore Lourdinha, da qual daremos o endereço brevemente.

Domingo, Setembro 04, 2005

Caraca!!!!!!!!!


















Pronto! Archilau Flôro vai achar que sucumbimos... mas não é nada disso! Não é só porque vimos o show do grupo Casuarina ontem no Rio Scenarium, e adoramos, que vamos concordar que samba-de-raiz é aquilo, e/ou que existe tal coisa. Aliás, a única raiz que estava deliciosa ontem era o aipim com macaxeira e mandioca, fritos, que se juntaram a uma especial carne-de-sol com cebolas num prato só que dividimos. Melhor dizendo, ali nem aquilo era raiz, ela comida! No palco, só música que quanto mais a gente ouve menos se preocupa em dar nome.

Sábado, Agosto 20, 2005

É o samba-jazz!













Ontem não nos livramos de pôr em perigo a paz de nosso sistema nervoso. É que fomos ao Rio Scenarium ver o Garrafieira. Mal parecia que havíamos nos recuperado dos efeitos do Clube do Balanço e caímos nas malhas dessa estupenda banda de samba-jazz, eletrizada pelos arranjos de Gabriel Improta e encantada pela voz de Mariana Bernardes. Sim, ela é uma cantora extraordinária, e daí? Já estamos quase nos acostumando com a nossa sorte, que ontem foi ouvir as divisões rítmicas abusadas e o fio cortante que Mariana põe no ar de alto a baixo. Mais uma que nos arrasa na maior calma desse mundo.

Elas.


















Aleph e Zahir vieram nos advertir de que este teria virado um ridículo blog sobre cantoras. Ai, são inocentes eles... Mas Irineu veio em nossa defesa, antes que precisássemos responder: ele disse que só aparentemente falamos dessas mulheres. Elas de fato são personagens num teatro nosso. Falamos sim dos mistérios que elas plantam, e que vão caindo das suas canções quando menos se espera. E é de uma maquininha de mistérios chamada Eliane Elias que vamos agora nos queixar: ela anda nos encantando além da conta, com seu modo Zen (Zen mesmo, não zen de jornal) de fazer música que não se sabe de onde vem. Dizem que vem dos Estados Unidos, ou do Brasil, ou ...

Terça-feira, Agosto 16, 2005

Meia-horinha dele na tv.














Bianca Ramoneda hoje e amanhã traz o chefe dos nadas, Manoel de Barros, para as telas da tv a cabo, no canal GloboNews. Folgaremos em rever nosso amigo. Infelizmente, quando nos perdemos nos nossos últimos sertões, nosso rumo não passou perto dele. Gostamos de visitá-lo dentro dos olhos de um sapinho de durepoxi. Horários: 16/08 às 23:30 e 17/08 às 03:30h, 11:30h e 17:30h.

Domingo, Agosto 07, 2005

Claudia Acuña, chilena (ou não...).


















Estamos em mais um daqueles períodos em que cantoras se espalham no ar de nossa casa, de nosso carro e penetram pelas frestas desse blog. Assim, trazemos aqui Claudia Acuña, para mostrar que Luciana Souza está longe de ser a única cantante latino-americana deliciosa que invadiu os EUA e o jazz. Recomendamos ouvirem os vários standards jazzísticos que esta morena andina registrou em CD, mas prestem atenção mesmo às suas gravações de canções em espanhol como Volver a los 17, Gracias a la vida e Alfonsina y el mar, todas do repertório de Mercedes Sosa. Existe também uma performance dela cantando com Djavan Só tinha de ser com você, com arranjo de Eumir Deodato e que, para Art, é a melhor coisa do filme Bossa Nova, de Bruno Barreto. Enfim, vocês já sabem de nossa tara por cantoras. Aproveitem.

Sábado, Agosto 06, 2005

A moça que usa brincos.


Ela não é a única, claro. Mas está sutilmente dominando alguns segundos de nossas experiências, fazendo com que eles tenham uma estranha vida, cavando neles abismos dos quais talvez nunca voltemos à tona ou, se voltamos, não saibamos direito mais o que fomos. O nome da diva da vez é Luciana Souza. No início, Aleph disse : "É mais uma cantora certinha que fez aulinha de canto e é afinada e só". Quanta bobagem. É só ouvir Retrato em branco e preto, Chovendo na roseira (com o baixista-fera John Patitucci), Trocando em miúdos e A flor e o espinho/Juízo final para saber que história é essa. Aproveitamos a oportunidade e a enorme audiência que temos para sugerir um casamento: entre Luciana Souza e Minha, aquela obra-prima de Francis Hime e Ruy Guerra. Mundo, faça isso por nós!

Segunda-feira, Agosto 01, 2005

A sensacional Prímula ou mendicância fashion.


















Ela é realmente extraordinária. A doublée de cantora e estilista Prímula acaba de fazer a revolução da moda - segundo sua própria definição. Ela, que foi nossa aluna e freqüenta nossa casa, fez algo para, conforme suas palavras, "deixar Jum Kakao se roendo de inveja". Para quem não se lembra, Nakao é aquele estilista paulista, de origem japonesa, que fez um desfile performático na São Paulo Fashion Week de 2004 em que as modelos, com cabeça de playmobil, estraçalhavam seus estonteantes vestidos de papel ao final da apresentação. Prímula acha que, em termos de comoção, sua idéia é mais grandiosa, conquanto mais singela. E o que ela fez, afinal? Simplesmente vestiu suas criações em mendigos de São Paulo! Para cada um deles criou um guarda-roupa de umas cinco ou seis peças, de modo a que, por algum tempo impossível de precisar, os moradores de rua ostentarão as roupas criadas por ela. É um modo de ao mesmo tempo divulgar sua coleção, fazer arte nas ruas (ou "fora dos muros", abre o olho Guto Lacaz...) e ainda por cima realizar um ato caridoso. Claro que ela já está sendo chamada de oportunista e aproveitadora da miséria alheia. Mas não está nem aí. Responde dizendo que aumenta a auto-estima dos pedintes e a sua visibilidade, impedindo que permaneçam na cruel condição de seres imperceptíveis, no dia-a-dia.

Sábado, Julho 30, 2005

Bombou!!!!!!!!!!!!!!!! Lotou!!!!!!!!!!!!!!!!















O Clube do Balanço sacudiu a Lapa num show inesquecível. Acabamos de chegar de lá! Estávamos com saudades de nossos tempos de São Paulo, que nos abençoou pelas mãos e vozes enfeitiçadas de Mattoli e Teresa Gama. Mas houve outros ingredientes que fizeram a noite ser muito mais do que uma noite! Primeiro, eis que aparece ele, o mago da dança samba-rock, sim, ele mesmo: mestre Moskito! Deu aulinha e tudo! A cariocada ficou doida com sua apresentação de mãos imantadas. Só isso? Que nada, galerinha ouvinte. Não é que a Paulinha (no Orkut tem a comunidade dela: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=268263) também estava lá com sua legião de alunos-fãs, temperando com os mais cariocas passos de gafieira todo o balanço do clube? Querem mais ainda? Pois tem. Tem o abuso do destino, o capricho da conjugação de estrelas: Thalma de Freitas subiu ao palco. E, só para não tripudiar com os ausentes, dando mais informações sobre uma noite cujo brilho começa a parecer de sonho, encerramos confessando que fomos testemunhas encantadas do dueto de Teresa e Thalma em Mais que nada!

Quarta-feira, Julho 27, 2005

Vamos dançar um samba-rock no Estrela da Lapa?


















Muita discussão aqui em casa sobre o novo CD do Clube do Balanço, que vai ter lançamento no Rio de Janeiro nas próximas sexta e sábado, dias 29 e 30/07, no Estrela da Lapa (e nós vamos!). Irineu e Aleph preferem a faixa Balaio. Mas o resto da família segue a escolha do jornalista Josafá Monteiro: A sereia e o marujo, com a voz magna de Teresa Gama, é a melhor faixa para ouvir e dançar - e por isso é a que mais treme nas nossas caixas. Claro que Archilau Flôro, em sua coluna desta semana no jornal A pulha, de Nhecolândia, desanca o excelente disco, cujo nome é Samba incrementado. Ele chama o CD de Samba excrementado. Sabe-se que Archilau ficou assim depois de dar aulas de órgão e da dancinha semba-rei para Olavo de Carvalho, Arnaldo Jabor e Diogo Mainardi.

Terça-feira, Julho 12, 2005

Pensando no Jalapão













Nós, o casal, estivemos conversando em algum lugar do Jalapão. Lembramos dos dias felizes que passamos na Praia da Justa (conforme prometemos, aí vai, para os bons entendedores, mais uma dica sobre localização daquele paraíso balnear: lá vive uma coruja mirrada), em que meditamos sob amendoeiras e árvores desconhecidas, e continuamos a meditar mesmo dentro d’água e dançando samba-rock, samba-jazz, samba-soul e samba-reggae. Lá, dedicamos pensamentos a Josafá Monteiro, o conservado, e consideramos Archilau Flôro, o conservador, a quem perdoamos abundantemente.

Segunda-feira, Julho 11, 2005

"Correr de mim

(Juraildes da Cruz)

Eu pensei correr de mim,
Mas aonde eu ia, eu tava
Quanto mais eu corria,
Mais pra perto eu chegava

Quando o calcanhar chegava,
O dedão do pé já tinha ido
Escondendo eu me achava,
E me achava escondido
Só sei que quando penso que sei,
Já não sei quem sou
Já enjoei de me achar
No lugar que aonde eu vou, eu tô

Eu pensei correr de mim,
Mas aonde eu ia, eu tava
Quanto mais eu corria,
Mais pra perto eu chegava

Tô pensando em tirar férias de mim,
Mas eu também quero ir
Só vou se minha sombra não for,
Se ela for eu fico aqui
Um dia desses sonhando eu pensei:
Não vou me acordar,
Vou me deixar dormindo
E levanto pra comemorar

Eu pensei correr de mim,
Mas aonde eu ia, eu tava
Quanto mais eu corria,
Mais pra perto eu chegava

O espelho me disse:
Só tem um jeito pro assunto
Não adianta querer morrer
Porque se morrer vai junto
Se correr o bicho pega
Mas se limpar o bicho some
Tem que desembaraçar
O novelo da vida do homem

Se quiser que eu vá, eu vou
Se quiser que eu fique, eu fico
Quero ver você sair, meu irmão
Dessa sinuca de bico

Eu pensei correr de mim,
Mas aonde eu ia, eu tava
Quanto mais eu corria,
Mais pra perto eu chegava
"
Já pensamos muito em falar essas coisas que Juraildes fala nessa letra.

Andando em Minas, Goiás e Tocantins

Enquanto fugíamos de Flôro, muito aconteceu. Soubemos que o Coelho lançou livro inspirado no nome de nosso segundo filho, Zahir. Isso nem se compara ao fato de o nome do nosso filho ser inspirado num conto de Borges. Mas o melhor de nossa fuga da realidade foi entrar em Minas Gerais e sair em Tocantins. Em algum lugar no meio do caminho ouvimos Juraildes da Cruz, compositor maravilhoso do sertão. Não nos agradou sua voz nem seu modo de cantar, mas por isso mesmo estamos arranjando de conseguir que algumas das cantoras que nos impressionam gravem suas músicas. Recomendamos a todos nossos ouvintes que escutem as canções desse homem.

Sumiço

Por um lado, foi um mero retiro prolongado, por outro, foi fuga mesmo. Continuávamos fugindo de Archilau Flôro, mas acabamos de desistir disso. Vamos enfrentar o defensor do samba-de-raiz (sic), sem medo.

Sábado, Dezembro 04, 2004

Retiro Zen com samba, na Praia da Justa













Vamos hoje à Praia da Justa. É um recanto secretíssimo no Rio de Janeiro. Quem for esperto poderá colher e decifrar as dicas que vamos dando aos poucos. Primeira: fica entre um bairro com precária rede de esgotos e um morro redondo. Só se chega lá por trilha íngreme ou de barco. Pára-quedas, helicóptero e submarino são outros meios de acesso que, segundo sabemos, ainda não foram utilizados. Mas o fato é que faremos nessa praia um retiro Zen, e não vamos dar atenção para o mar. Mesmo que entremos nele, não vamos estar ligados nisso. Só que é preciso admitir que estaremos também fugindo de Archilau Flôro. O melhor de tudo é que parece que ele já sabe do nosso passeio! Ele quer nos admoestar por causa da nossa afinidade com o samba-jazz e o samba-rock. Não nos perdoa por não defendermos o samba-de-raiz (sic). À praia vão também nossos filhos e suas novas namoradas. Eles vão levar carne e o disco novo do Farufyno.

Sexta-feira, Dezembro 03, 2004

Josaphat Monteiro

Antes que Flôro chegue, vamos convidando os nossos preferidos amigos para com sua presença aplacarem nosso medo. Hoje esteve aqui Josafá (Yosaphat) Monteiro, o velho. Estamos estupefatos como ele está conservado. Veio tentar nos convencer a abrir uma loja de insetos usados.

Motim

Está havendo um pequeno motim em nossa turma. Funes arregimentou Tutuka Cromwell e Martin Van Nostrand pra reclamar que esse blog não é sério. Estão dizendo que vão chamar o estudioso de samba-de-raiz e dos malefícios da chuva horizontal Archilau Flôro para liderar um protesto contra nossa "leviandade" (sic). Estamos pesadamente preocupados porque temos pavor de Archilau Flôro!

Domingo, Outubro 24, 2004

Chega de sons audíveis


















Vamos parar de falar em cantoras, divas, musas e músicas, por enquanto. Observemos os sons que não conseguem ser produzidos quando vemos as imagens de M. C. Escher e Rob Gonsalves.

Sábado, Outubro 23, 2004

Samba-rock

Não, não nos conhecemos, Art e Regina, na universidade. Nosso primeiro encontro foi muito antes, num baile de samba-rock. Art tomou coragem e as mãos de Regina, durante a introdução de 16 tonelaaaa, na gravação de Noriel Vilela e, ambos iniciantes nas piruetas paulistanas da gafieira-swing, trememos por fora e por dentro durante pouco mais de dois minutos. Foi daí que nasceu essa parceria de salão, cama, mesa, cátedra e zazen. Somos do tempo em que Tereza Gama passou a segurar o balanço com o Mattoli, lá na Cohab de Itaquera. Depois, muito rodopio ao som de O telefone tocou novamente (Jorge Ben), Coqueiro verde (Erasmo Carlos) e Palladium (com Ed Lincoln). Acabamos nos enroscando tanto que tivemos filhos!

Terça-feira, Outubro 12, 2004

Realidade

Nosso amanuense Tutuka Cromwell chegou de férias azougado. Quer porque quer nos ensinar o que é a realidade. Chegou à conclusão de que, na plenitude do séc. 21, não há porque não se conhecer essa coisa simples, a realidade. Disse que duvidar dela tal como todo mundo sabe que existe é sinal de estupidez. Afirmou ainda que tem aprendido muito sobre ela com aqueles que ele chama de novos profetas, aos quais quer dedicar uma nova Congonhas, com esculturas da Geração 80. Está adepto, conta, de Patrícia Mello, de seu mestre Rubem Fonseca, de seu preceptor Nelson Rodrigues e de Deus. Mas assinala que tem visto retratos sem retoques, painéis impiedosos e cáusticas representações do real no cinema, e na televisão. Amargurado, reclama contudo que se Gilberto Braga demorar muito para fazer roteiros de filmes, a sétima arte brasileira vai se enfraquecer e adiar sua afirmação como crua pedagogia da vida (como ela é).

Divas


Temos essa mania por cantoras. É uma fixação, e Irineu lembra sempre que isso pode ser prova de que tanto Regina quanto Art (sim!) guardariam um desejo inconsciente terem sido (ou virem a ser) cantoras um dia. Mas quem é Irineu Funes para saber o que há nos inconscientes, ele que tem tudo à flor da mente? Não importa, vamos falar nas divas mais uma vez. No nosso aparelho sonoro têm tocado muito três moças; Thalma de Freitas, a bela, com repertório forte e novo, colaborada por seu pai Laércio e a dupla Kassin-Berna; Elizah, com uma explosiva interpretação de Linha de passe; e, afinal de contas, Valéria Sattamini, com o arranjo-produção-recriação Tamanco no samba. Essa é uma música que mexe conosco. Estamos fazendo uma coreografia de dedos para ela.

Sábado, Agosto 28, 2004

Três mulheres e uma canção

Mas foi um homem que começou. Feita a música, ele providenciou para que fosse cantada por Teresa Salgueiro, diva do Madredeus, banda portuguesa que ele, Pedro Ayres Magalhães, criou e rege. Depois, nesta maravilha foi feito sotaque brasileiro com a dupla das Possi, Zizi e a filha Luísa. Falamos, claro, da canção - uma das mais belas que existem - Haja o que houver.

Andar Carnaval













Achamos que nas ruas do Rio de Janeiro não se pula Carnaval, como em Olinda ou Salvador. Em São Sebastião do Norte se anda Carnaval, sempre com uma lata de cerveja na mão. Procissão e cortejo fúnebre ganham em animação dos blocos do Rio. Aleph acha que estamos sendo maldosos. Que nada, filho! No Simpatia é quase amor, este ano, nem andar conseguimos. Nós paramos Carnaval!

As estátuas

Regina esteve vivendo sua transformação precoce em estátua. Ela passava um dia desses por uma avenida em Copacabana quando viu um homem-estátua e umas dez pessoas que o observavam, tão imóveis quanto ele; parou para ver a cena. "Os espectadores também se tornaram homens e mulheres-estátuas!", pensou. Foi quando percebeu que até mesmo ela ficara petrificada naquele jogo de observação da observação. Estátua que olha estátua, que olha estátua... Art gostou dessa idéia: pessoas-estátuas de primeiro, segundo e terceiro graus. Porém, não pára por aí: você, lendo este post, é mais uma estátua nesta cadeia!

Armação II


Vamos falar de coisas antigas? A banda Rouge só fez sucesso graças ao Aserejé de Las Ketchup. Descubram o que é isso sozinhos, porque agora o assunto é outra: a dupla t.A.T.u. Em matéria de bandas não-"espontâneas", gostamos mesmo da singela safadeza púbere dos russos, a dupla lésbico-pornográfico-pop-dance que tem esse nome-sigla. O que foi feito desse пары?

Armação I

Marisa Monte começou como criação artística de Nelson Motta. O início dela foi muito bom, com aquele distanciamento falso, que sendo assim é mais estranho e comezinho ainda! Com marketing e voz fantásticos. Era a atriz musical que interpretava umas personas perdidas pelas nossas ruas sonoras. Vinham Billie Holiday, Elis, Gal, Janis Joplin, Carmem Miranda. Depois, optou por ocupar uma faixa de mercado interessante: ao mesmo tempo brega, elegante e intelectual moderna. Juntou-se então aos Titãs (e seus egressos) e a Carlinhos Brown. Pra quê?

Quarta-feira, Agosto 25, 2004

Mantiqueira

Eles têm dois CDs: Aldeia e Bixiga. O nome Banda Mantiqueira tem origem controversa, tema que será tratado posteriormente. O que vale dizer agora: quem ainda não conhece a Banda pode decidir continuar sem conhecer, mas estará sendo fobo e marau. No Aldeia, a força está concentrada em Linha de passe. Em Bixiga, na faixa Prêt-à-porter de tafetá. A potência de samba-jazz de João Bosco é amplamente desenvolvida nestes dois arranjos de Nailor Proveta. E nasce, assim, a mais extraordinária big band que já poderia ter tocado samba, no final do século do jazz. É prodigiosa a confusão de ritmo-harmonia-melodia produzida por estes músicos, cheia de viagens sem volta. E os solos de trombone de François de Lima agradecem ao advento da gravação musical, por terem a chance de nos melhorar. Essa banda distorce os limites da boa música! Caetano Veloso debocha – ou ralha, como ele mesmo diz – do samba-jazz no livro Verdade tropical. Vamos ler o livro e ouvir um show da Banda Mantiqueira, para ver no que dá.

Terça-feira, Agosto 24, 2004

Prazeres

Ontem aconteceu uma discussão, depois que Aleph falou da tara sexual que tem como alvo os aparelhos de correção de dentes, segundo ele uma inclinação erótica muito difundida hoje em dia (que até a Playboy brasileira já consagrou no número de janeiro de 2003). Irineu estava cansado, e decidiu terminar a conversa do seguinte modo - depois que alguém disse que certas práticas sexuais são anti-naturais: "se faz sexo para a reprodução tanto quanto se bebe vinho para matar a sede".

Cabeça-papo


Zahir implica com o tipo de gente que ele chama de cabeça-papo. Não, não aquelas pessoas que têm o pescoço tão papudo que o papo acaba sendo quase do tamanho da própria cabeça. Mas aquelas que, segundo ele, não têm no crânio um cérebro, mas um saco - um papo - que não digere nada. Tudo começou com seus protestos a respeito do fato, muito difundido atualmente, de rapazes e moças de segundos cadernos dos jornais brasileiros viverem se queixando de certos filmes - ou livros, peças etc. - dizendo que estes contêm "papo-cabeça". Eles não costumam entender muita coisa, e qualquer fala que não diga obviedades é chamada assim: "papo-cabeça". Doravante adotaremos esta alcunha - cabeça-papo - para estes rapazes, já esculachados por Ségio Augusto no livro Lado B.

Debates

Aleph e Zahir discutem. Primeiro, Zahir afirma que Only love can break your heart é de Burt Bacharach. Aleph discorda. Tem certeza de que a música é de Neil Young. Mas aí vem nosso encarregado Rob Fleming e diz que tem a resposta. Então, Zahir pergunta a Rob se ele, Rob, é na verdade o saxofonista Moacyr Santos. Que confusão!

Esclarecimentos

Rob promete esclarecer esta última questão mais tarde. É que está ansioso para dizer que tanto Aleph como Zahir estão certos. E errados. Explica que Only love can break a heart é de Burt Bacharach. E que Only love can break your heart é de Neil Young! Mas Rob jura também que vai mijar na canção de Bacharach só porque teve que falar nela! Como ele vai fazer isso?

Toller & Israel

Paula Toller jamais cantou tão bonito quanto no Acústico MTV. "Será se ela regravou a voz no estúdio, meus pais?", pergunta Zahir, trocando o "que" pelo "se", para fazer gracinha. Nem sabemos, mas estamos contentes em ouvir (e ver, já que essa menina está linda aos 40!). Art está gostando mesmo é das letras. "Gosto de Nada sei (Apnéia)!", diz Irineu. Aleph soube que um cabeça-papo (dos mais radicais e observadores e implicantes) já reclamou. O mesmo tanto nos assombrara a letra de Eu não esqueço nada, verdadeiro hino, para Irineu Funes e Zahir. Lamentavelmente, esta música não está no Acústico, fazendo companhia, no tamanho da ausência, a O rei do salão. Para falar de Marisa Monte, do que ela prometeu e não cumpriu, temos a dizer o seguinte: Paula Toller!

Sonho nosso, vai buscar quem morava longe do samba


E então é para ouvir esta pérola de melodia, Nasci pra sonhar e cantar, em registro ao vivo de uma dupla tão improvável quanto maravilhosa: D. Ivone Lara e D. Paula Toller. "Como pode essa moça cantar melhor ao vivo tanto assim?", pergunta Zahir. Mas Ireneo não tem boa vontade com a lourinha: "já (ou)vi essa menina desafinando demais em 1984 na Marina da Glória! Só pode estar usando Pro Tools!" São lembranças e maledicências que não desaparecem de certas mentes. Mas o que importa agora é que, felizmente, podemos repetir muitas vezes este fonograma, e também relembrá-lo à noite, com a cabeça no travesseiro, e em qualquer momento parecido. É a perfeição de D. Paula, no samba.

Preferências

Zahir não pára de pensar em Beyoncé Knowles. Aleph insiste que gosta de tantas, e muito também de Jennifer Lopez, a boricua from the block tão enaltecida nos EUA. Mas Zahir quer insistir na beleza e na maravilha da voz de Beyoncé. Diz que é a estrela do século. O que achamos é que ambas são brasileiras. Mas que Beyoncé é daquelas brasileiras que provocam acidentes no trânsito e nas artérias.

Vozes de mulheres

Nós estamos contentes com a descoberta de uma moça pantaneira que canta suas músicas, a Vanessa da Mata. Claro que por causa do nosso estreito relacionamento com o anfitrião dos nadas Manoel de Barros, teríamos uma boa vontade maior com os artistas de lá (daquele mato-de-nada muito especial). Mas nós temos boa vontade com coisas que até o Manoel duvida! E, por isso, não tem nada a ver nosso gosto pela Vanessa com a afinidade desaprendedora que temos com ele. Mas se ao ouvirmos Alegria, Onde ir, Não me deixe só e Eu não tenho lembramos das ignorãças do Barros, isso é problema nosso!

Faculdades do esquecimento e da lembrança

Irineu Funes é um homem que se lembra de tudo. Outro dia nos contou de uma polêmica que presenciou há muito tempo atrás. Foi entre um monge budista e um professor de filosofia, adepto de Nietzsche. O professor nietzschiano, Martin Van Nostrand, dizia com veemência que o homem precisa esquecer para sobreviver. Que se não tivesse como jogar no esquecimento muitas coisas insuportáveis, sua vida se tornaria um inferno. E que, por isso, possui a faculdade de se esquecer de tudo aquilo o que não lhe permita atravessar os dias. Já o budista afirmava que é preciso ir a todos os lugares assustadores que a percepção e a memória alcancem, e que a verdadeira paz e a genuína liberdade só seriam atingidas quando nada fosse afastado da consciência, com ou sem a finalidade de poupar-nos. Irineu, que tudo lembra, não ouviu mais nada. Apercebeu-se, porém, de como era terrível e ao mesmo tempo bela esta desavença entre os dois modos de pensar; e de como não podemos, de fato, esquecer que do encontro - inclusive aquele chamado de desencontro - vem o novo, e nascem aquelas coisas de que não nos recordamos, porque nunca haviam acontecido.